Um poema para nosso Tauari

Brasília (DF), 09 de dezembro de 2007
Uma das tantas coisas legais que aconteceram hoje durante nossa exposição foi um senhor de meia-idade que apareceu de bicicleta no Parque. Depois de uma longa conversa, o André, um dos coordenadores desta atividade, se aproximou de mim com uma folha de sulfite na mão, todo feliz. Ele contou que o senhor da bicicleta, Sr. Humberto, esteve no sábado no parque e viu a árvore. Ele ficou tão emocionado que, chegando em casa, fez um lindo poema para o nosso Tauari...
... que compartilho com todos vocês aqui:
Tauari
Poema para um magnífico exemplar de tauari (Couratari guianensis), de 30 metros de altura, abatido e queimado em uma Floresta Nacional no sul do estado do Amazonas. O Tauari é conhecido no exterior como “carvalho brasileiro” devido às suas qualidade semelhantes ao carvalho europeu. Tauari, ou tawari, também designa uma tribo indígena que habitava a margem direita do rio Embira, no Acre, e que foi extinta.
O gigante tauari
Jaz adormedido aqui,
Definitivamente,
Sem flhas nem semente.
A sua madeira sagrada,
Fatalmente violada,
É essência natural,
Do mundo espiritual.
Monumento da floresta,
Da qual apenas cinza resta,
De muitos devas foi abrigo,
Sempre um fiel amigo.
Por séculos de vida,
Muita cena foi assistida
Das alturas da sua copa
Cheia de vida em volta.
Um verdadeiro arquivo,
Enquanto ainda vivo,
Não bastasse ser decepado
Ainda pelo fogo queimado.
Herança de um povo
Extinto no mundo novo,
Carente de inocÇencia
E pleno em demência.
Homens de má sina
Tramam na surdina
O fim do planeta vivo
Num suicídio coletivo.
Brasília (DF), 08 de dezembro de 2007
Humberto Pellizzaro
www.recantodasletras.com.br
(Por Tica Minami)









9. QUEIMANDO A BANDEIRA BRASILEIRA
A fornalha vira floresta,
Quando a floresta vira fornalha.
O canalha vira homem,
Quando o homem vira canalha.
Anda nu tanto a floresta quanto o canalha.
A floresta vestida de verde envergonha
A brasileira bandeira, que não desfralda
No mastro - verde-amarelo - que a gente sonha.
Nossa bandeira está sempre sendo queimada.
Quando queimamos todos os dias florestas inteiras,
Queimamos também o verde da bandeira,
Que já foi brasileira e em ouro derramada.
Alguns amam esse país com a tocha e o fuzil
Em busca de um mato para queimar.
Neste hospício de nome pomposo: Brasil,
Estão os que não conhecem o verbo amar.
São poucos os brasileiros amantes deste país.
São poucos os que defendem a natureza...
São muitos os que propagam a terrível raiz
Do mal, vivendo em meio à safadeza.
Pobre Brasil! Não cuidou dos que o amam.
Cuidou mais dos destruidores do paraíso.
Está ficando tarde para os que não se salvam...
Enquanto o poder público não tem juízo.
A destruição já é um fato consumado,
Embora na última floresta ainda resta
Área densa do pobre do verde preservado.
Mas, até quando? O fogo é uma festa
Para determinadas pessoas enlouquecidas.
E, contudo, quem enlouquece é o planêta.
A Terra transforma-se superaquecida
No inferno que nós apreciamos de veneta.
Muitos conhecerão o fogo do inferno
... antes de morrer.
Jeovah Nunes
(do livro: "NOVAS POESIAS")